10/29/10

Palavras

Curto, direto, conciso,
Não consigo.
Admiro as palavras com muito sentido.
Sou prolixo no que digo.
Espero que ao final,
Do que foi dito
Sobre algo que tenha valido.

10/27/10

Os Namorados



 
Na fila do cinema, dois jovens com menos de 16 anos. Ele magro, alto, um gorro na cabeça, permitindo escorrer pelas laterais um cabelo negro liso e comprido, cobrindo um olho e chegando à altura do nariz. Na parte de trás, um pedaço era loiro. Tênis desbotados. Piercings no nariz e abaixo do lábio inferior.
Um jeans abaixo da cintura, uma blusa bem solta, parecendo um número maior, correntes prateadas no pescoço.
Ela, cabelo puxando ao vinho, saia bem curta e uma meia acima do joelho chegando ao meio da coxa. Camisa listrada e uma blusa justa. Sapatos com uma plataforma alta e larga, dando-lhe altura. Também com um piercings no nariz.
Pareciam personagens saídos de um mangá.
Eram estranhos, mas, representavam o que há de mais antigo na humanidade, dois seres se amando, namorando.
Os beijos delicados, os sussurros no ouvido, os sorrisos leves como que guardando segredos só dos dois. O tocar das mãos, o encontro dos corpos, o acariciar do rosto, o olhar nos olhos.
Quantas pessoas, quantas vezes, viveram os mesmos gestos, os mesmos sentimentos.
O mundo muda, as gerações vão e vêm, mas o amor e suas formas são sempre as mesmas.

10/22/10

Pensamentos e Frases Idiotas 3

A intolerância vem da prepotência dos que a criam e da ignorância dos idiotas que a seguem.

Para muitos políticos o povo não é o fim e sim o meio.

Um bom GPS é aquele que indica os melhores caminhos para a vida.

Não seja escravo do computador.  Leve-o para todos os lados, inclusive o banheiro.

10/20/10

A Morena


A irmã da namorada do meu amigo era um avião. Uma morena de olhos castanhos, cabelos lisos, sedosos e pele bonita. Como se dizia, “tratada a leite de aveia”. Um sorriso maroto e um olhar malicioso. Tinha um corpo roliço, sem ser gorda. Os seios explodiam nas blusas e vestidos que usava. Era proposital.

Seu andar era pura provocação. Ela exalava desejo.

Por várias vezes, flertamos. Mas tinha namorado e por respeito ao meu amigo e aos irmãos dela, que também eram meus amigos, tomava cuidado.

De repente, fiquei sabendo que ela havia terminado o namoro.  Como haveria um churrasco na casa de um conhecido, depois de uma semana, preparei-me para conversar.

No dia, a filha da mãe apareceu com um sujeito a tiracolo. E propositalmente me fez pirraça. No final da festa, não aguentei e a puxei pelo braço perguntando se iria à balada no dia seguinte e se gostaria de ir comigo. Confirmou maliciosamente que sim e que lá nos encontraríamos.

Foi uma grande preparação. Banho tomado. Vesti uma calça, tirei, coloquei outra. Experimentei uma camisa. Não ficou bem, coloquei outra. Ou seja, uma longa preparação. Dente escovado, gel no cabelo, perfume. Outro olhar no espelho e vamos lá.

A morena estava com um vestido vermelho. Marcava a cintura. Ao botão de cima faltava um nada para se soltar. Um tesão.

Começamos a dançar. Que delícia a maciez do seu corpo. O cabelo parecia ter saído de uma tarde no cabeleireiro. E aquele perfume gostoso no pescoço.

Quando dançavam, ela enfiava sua perna no meio da minha e pressionava. Nós ficávamos parados no lugar só fazendo o balanço da música para sentirmos o contato. Estávamos pegando fogo. Precisávamos encontrar um canto para que não nos vissem.

Lá fomos. Minha mão subia por sua perna, enquanto, sua língua corria pelo meu pescoço e orelha. Minha outra mão desabotoava o último e resistente botão superior do vestido. Os lábios se tocaram. Beijo molhado, línguas se tocando.

As investidas dela se davam aos poucos e repentinamente se recolhiam. Ele ia com tudo. Parava. Voltamos a dançar para não chamar a atenção dos irmãos. Na dança, continuava maliciosa na sua movimentação. Não dava para disfarçar: ela sentia a pressão do meu membro. Apertava levemente com a coxa. Foram alguns vai e vens nesse sentido.

Era meu segundo namoro, ela era experiente na arte. Ao terminar foi embora com os irmãos; eu, a pé. A caminho de casa, senti dores que se localizavam na virilha e abaixo. Foi o constante provocar durante a dança e nos cantos. Mal conseguia andar, pois as dores eram torturantes. Chegando em casa fui para a cama.

O namoro continuava debaixo do olhar dos irmãos. Só conseguia sair com ela quando algum deles ia junto. Por sorte eles tinham suas namoradas e acabavam não nos vigiando nos bailes ou onde íamos. No cinema era uma maravilha, um festival de beijos e de passar de mãos. Nos bailes, era o de sempre. Mal conversávamos, mal nos conhecíamos, era só beijos e amasso.

Essa situação começou a me incomodar. Queria uma namorada para viver os momentos, trocar ideias sobre a vida, as pessoas, as perspectivas, a política, o momento que vivíamos e que se mostrava revolucionário social, moral e politicamente. Queria conversar o turbilhão de sentimentos que vivia dentro de mim.

A conversa se esvaía, morria em algumas futilidades e se calava com as bocas se encontrando em infindáveis beijos.

Linda, gostosa, me sentia o máximo entrando com ela nos locais, pois ela, com sua fulgurante figura chamava a atenção. Via nos outros olhares de desejo e de inveja.

Em muitos lugares encontrávamos ex-namorados que eram apresentados ou mostrados à distância como troféus. Comecei a me sentir como mais um. Resolvi acabar com o namoro.

Quando conversei com ela, em um baile, ela chorou, dizendo que eu estava insensível, que me amava e que éramos o par perfeito. Foi para o canto onde estavam sua irmã e algumas amigas que a acolheram formando uma rodinha, e olhando para mim com olhares de reprovação.

Fui embora.

Soube que ela permaneceu inconformada e chorosa com nosso término por algum tempo.

Ao encontrar uma amiga íntima de sua irmã soube do comportamento dela em relação ao nosso término.

- Sabe porquê desse festival de lágrimas da parte dela?

- Não.

- Você foi o primeiro namorado que terminou com ela, e não o contrário. Você deve conhecer o rol de namorados que ela teve. Muitos. É namoradeira, atirada, tem fama de assanhada. Namorados não vão lhe faltar. Vai faltar quem a aceite com sua beleza mas, com toda a sua superficialidade. Homem gosta de mulher atirada, sexy, liberal para se divertir, curtir a vida, mas, quando busca uma para casar ou formar uma união, procura as que se dão valor como mulheres e se fazem respeitar.

 

 

 

 

10/15/10

O Baile



A morena era linda.  Todo dia, no mesmo horário, pegava o ônibus.
Ele ia do serviço para casa e ela para a escola, descia três pontos antes.
Todo dia ele a admirava e ela mal o olhava.
No ônibus cheio, tratava de ficar perto. Observava cada detalhe. O cabelo, a pele, os olhos. Guardava na mente para poder sonhar.
Às vezes, no ponto se aproximava pensando em puxar conversa. Não tinha coragem.
Pelos amigos, ficou sabendo seu nome, em que classe estudava, onde morava , com quem andava.  Parece que não tinha namorado.
Os amigos começaram a rir de tantas perguntas.
- Vai à luta, irmão !
Mas, e a coragem?
Em um final de semana, em um dos bailes do bairro, daqueles que aconteciam antigamente, na casa de alguém: sala de visita apertadinha, com uma pequena vitrola tocando compactos, repetindo a noite inteira Ray Conniff, Roberto Carlos, Johnny Rivers, os discos que cada um levava. Ela estava.
Seu coração se acelerou. Pensou, tem que ser hoje.
Para tomar coragem, bebeu duas Cuba Libres, enquanto a observava conversando com as amigas, ou às vezes, dançando com alguém.
Lá foi. Sua voz quase não saiu quando a convidou para dançar.
Sentiu seu corpo próximo, a respiração, o toque de sua mão. A música era lenta. Aproximou seu rosto, sentiu sua pele.  Temeu que ela notasse o suor escorrendo.
Queria falar. Não sabia o quê. Sua boca secou.  Pensou que ia perder o compasso da música pelo descompasso acelerado do coração.
A música acabou, separaram-se com leves sorrisos de despedida.
Os amigos se aproximaram.
 - E aí ?
Falou da pele, do corpo, do cabelo, do rosto.
- E aí ?
- Ai, nada. Só dançamos.
- Tu é mesmo um babaca.
Alguns foram procurar novas parceiras para dançar, outros foram dar em cima das que estavam a fim. E ele ficou a olhando.
Conversava com as amigas, ria.  Será que falavam dele ?
A noite continuava. Novas músicas, novos pares e ele ansioso para tirá-la para dançar, mas sem coragem.  Quando se decidia, alguém se antecipava. A angústia lhe tomava a alma.
Resolveu sair para tomar ar, pois, o ambiente estava quente e seu coração mais ainda.
Olhava a noite, os namorados, os amassos, os beijos sorrateiros e mais se angustiava.
Eis que de repente, ela sai no terraço para se refrescar e para ao seu lado, sem o perceber.
Ele diz:
- Como está quente.
Ela o nota, sorri e diz que sim.
Nossa! Seus olhos são mais lindos do que eu imaginava! E sua boca!
Ela se encosta na murada deixando sua mão próxima a dele.
Em um movimento incontido, ele trata de encostar sua mão na dela, que reage, colocando alguns dos dedos sob a dele.
Uma faísca corre seu corpo e num impulso, lhe dá um leve beijo na face.
Ela sorri timidamente, aproxima-se e se deixa abraçar.
Os discos voltaram a se repetir na vitrola da pequena sala em penumbra, onde alguns casais se alternavam. Mas pelo resto da noite, todas as músicas dançaram juntos.

10/12/10

Pensamentos e Frases Idiotas 2

Caso pego em flagra, faça como a maioria: É intriga da oposição!

Não existe mulher feia, existe mulher pobre. Uma é com photoshop a outra não.

Não transforme seu voto em titica, pois, pior fica.

Tem dois bicho de pé. Um serve pra coçá, o outro pra gozá.

10/08/10

A Espera



Vou até o quarto, olho os meninos dormindo na cama.
Na sala, a TV ligada e a imagem passando. Nada se fixa na minha mente.
Observo o relógio. E ele não chega.
Virá com as mesmas desculpas. Trabalhei até tarde, "Fui jantar com amigos ou clientes".
No rosto uma expressão diferente e na roupa um perfume estranho. O de sempre.
Será que ela é mais jovem que eu? Será mais bonita? Será que é melhor na cama?  O que será que ela tem que eu não tenho ?
Quantos "serás"! Quantas angústias? O que fazer? Passo o dia corroendo a alma, me esmagando, me transformando em nada a cada momento.
Quando chega, um beijo rápido. Mal pergunta pelo dia.
- Amor, separei um prato para você. Está no forno.
- Não precisa, já jantei. Vou dormir, estou cansado.
Sozinha na sala, sinto-me prostrada nos meus desencantos, com vontade de gritar o que está represado. O choro pronto para explodir na garganta. Mas, somente lágrimas silenciosas escorrem pelo meu rosto.
Lembro da nossa vida, a família, os filhos, os amigos. Cada vez mais o noto distante dos carinhos, dos desejos, do dia a dia.
Sinto o mundo caindo sobre minha cabeça e o chão escapando aos meus pés.
Vou para a cama e o encontro dormindo.
Deito ao seu lado, coloco meu braço sob seu corpo.
Tento dormir, pensando que ele é meu e que nossa vida ainda será perfeita, que seremos felizes para sempre.
E embalada por esses sonhos durmo, aguardando o pesadelo do dia seguinte.

10/06/10

Felicidade




O pai sentado à mesa observa a família no horário do almoço.
O s filhos estão crescidos. Transformaram-se em homens e mulher feitos. Já têm uma nora.
A conversa corre solta, regada pela bebida e enriquecida pela boa comida da mãe.
A alegria é contagiante. Os sorrisos começam nos lábios e se espraiam pelos olhos. Recordações. Boas recordações.
- Lembra do vô, a gente escondia a bengala quando ele estava dormindo e ....
Começam os risos, um falando por cima do outro relembrando o fato.
- E a vó, quando as tartarugas fugiam do aquário....
Aumenta o falatório, os risos e a alegria.
E as lembranças vão surgindo e se ampliando regadas de piadas, gracejos.
Brincam com sua gaguice. Zombam da mãe quando corria atrás deles com o chinelo.
E o pai vai tendo a alegria de ver a vida pelos olhos dos filhos.
Curte conhecer melhor os momentos em que não estava com eles, por estar trabalhando, ou por eles estarem com os avós ou amigos.
Aquilo é pura felicidade.
Lembra de seu amigo Giba, que dizia:
- A felicidade está nas pequenas coisas, nos pequenos momentos.
Aquele instante era um grande pequeno momento.




10/04/10

Aposentadoria



A tão sonhada aposentadoria chegou.
Dormir até tarde, caminhada, dia ou outro academia, ler os jornais, livros, revistas, sudoku, palavras cruzadas.
Cochilada após o almoço, cinema com a mulher, passeios, aula de dança, museus, teatros.
Liberdade! Não ter horário, fazer o que quiser. Até um almoço alguns dias da semana com os amigos. Nada de preocupações.
Para começar 30 dias de férias na Europa. Viagem preparada, organizada, economizada durante anos. Foi maravilhoso!
Primeiros dias em casa. Roteiro como planejado.
De repente, começa:
- Bem, vem cá. Pega essa tigela que está na prateleira de cima, não alcanço.
Durante o sudoku.
- Amor, leva o lixo para fora.
Depois do cochilo pós o almoço:
- A tua filha pediu, já que você está com tempo, pegar o Paulinho e levar no dentista.
Na volta:
- Querida, vamos ao cinema hoje à noite?
- Ah não, estou cansada. Você não fez nada o dia inteiro.
Dia seguinte, levanto, tomo café, vou caminhar:
- Bem, na volta da caminhada, você não quer passar no mercado e pegar algumas coisas?
- Nossa! Como você demorou! Dá uma olhada no liquidificador que não quer funcionar.
O tempo passa, todo dia, toda hora, algo para fazer.
Compromissos, com neto, filha, mulher.
- Vou ao médico amanhã, me leva? Você sabe que não gosto de dirigir.
- Pega o vestido que deixei para arrumar.
- Pai, o Julinho está fazendo natação 2ª,4ª e 6ª feiras às 16,00 horas. Você não pode levar e trazer?
Passei a ter horários a serem cumpridos.
Quando me delongava:
- Nossa! Como você demorou. Estou precisando de você.
De repente, eu era o rei dos horários, das rotinas, dos compromissos.
Pensava, passei a vida inteira mandando agora sou mandado. Virei um motorista de luxo.
Aquilo começou a me amofinar, já não era o mesmo, não tinha alegria.
- Benzinho, você está doente?
Um dia falei para minha mulher:
- Vou ao médico. Não me sinto bem.
Sai e montei uma estratégia.
Procurei um amigo que tinha empresa de representações. Ficava a uns 30 minutos de casa. Não poderia ser perto.
- João teu escritório é grande e quero que você me alugue uma sala com ramal.  Eu também ajudo no salário da telefonista.
Retornei para casa.
- Amor o médico informou que estou com depressão pós aposentadoria e que o melhor é voltar a trabalhar, nem que seja um pouco. Na volta, já passei no João que vivia me oferecendo uma vaga de representante e aceitei.
Pela manhã levanto, não precisa ser muito cedo como antes que trabalhava. Vou caminhar ou a academia. Volto, me barbeio, me banho, tomo café e me despeço, normalmente alegando que estou atrasado ou tenho reunião.
Levo o jornal do dia.
No escritório comprei uma cadeira e uma poltrona confortáveis. Um armário para meus livros, revistas. Um aparelho com TV, rádio, CD player e tudo mais que exige a mídia moderna. Um bom computador. E um gravador.
Minha mulher me liga, a telefonista passa. De vez em quando ela responde:
- O Sr. Ronaldo está fora, em visita.
Ela me liga no celular. Deixo entrar o ruído do som, como se fosse do rádio do carro e ligo o gravador, onde tenho ruídos de motores, buzinas.
- Oi amor estou no transito. O que você quer?
Agora leio, faço sudoku, almoço com os amigos, passeio, happy hours.  Até comecei a jogar tênis à tarde. Faz parte da recomendação médica.
- Amor, o problema do tênis é que tenho muita dificuldade de arrumar tempo, mas, estou me esforçando
Chego em casa.
- Foi um dia daqueles, estou cansado.
- Oi benzinho, eu tinha pensado em irmos ao cinema, mas você chegou cansado. Então deixa.
- Não amor. Vamos a cinema.  Aliás, quando você tiver uma programação me liga, pois o médico me disse que não devo viver só trabalhando, preciso me divertir um pouco

10/01/10

Pensamentos e Frases Idiotas

Amigo é amigo, filho da puta é filho da puta, político o que é?

A natureza é maravilhosa. Você so lembra disso quando é um pombo que caga na tua cabeça.

Na democracia os dirigentes são escolhidos para representar a vontade do povo.  Assim sendo, Brasília é capital de que país?

O Serviço de Saúde é Ética adverte: "Mentir faz mal a verdade"


Mande o seu.