A irmã da namorada do
meu amigo era um avião. Uma morena de olhos castanhos, cabelos lisos, sedosos e
pele bonita. Como se dizia, “tratada a leite de aveia”. Um sorriso maroto e um
olhar malicioso. Tinha um corpo roliço, sem ser gorda. Os seios explodiam nas
blusas e vestidos que usava. Era proposital.
Seu andar era pura
provocação. Ela exalava desejo.
Por várias vezes,
flertamos. Mas tinha namorado e por respeito ao meu amigo e aos irmãos dela,
que também eram meus amigos, tomava cuidado.
De repente, fiquei
sabendo que ela havia terminado o namoro. Como haveria um churrasco
na casa de um conhecido, depois de uma semana, preparei-me para conversar.
No dia, a filha da
mãe apareceu com um sujeito a tiracolo. E propositalmente me fez pirraça. No
final da festa, não aguentei e a puxei pelo braço perguntando se iria à balada
no dia seguinte e se gostaria de ir comigo. Confirmou maliciosamente que sim e que
lá nos encontraríamos.
Foi uma grande
preparação. Banho tomado. Vesti uma calça, tirei, coloquei outra. Experimentei
uma camisa. Não ficou bem, coloquei outra. Ou seja, uma longa preparação. Dente
escovado, gel no cabelo, perfume. Outro olhar no espelho e vamos lá.
A morena estava com
um vestido vermelho. Marcava a cintura. Ao botão de cima faltava um nada para
se soltar. Um tesão.
Começamos a dançar.
Que delícia a maciez do seu corpo. O cabelo parecia ter saído de uma tarde no
cabeleireiro. E aquele perfume gostoso no pescoço.
Quando dançavam, ela
enfiava sua perna no meio da minha e pressionava. Nós ficávamos parados no
lugar só fazendo o balanço da música para sentirmos o contato. Estávamos pegando
fogo. Precisávamos encontrar um canto para que não nos vissem.
Lá fomos. Minha mão
subia por sua perna, enquanto, sua língua corria pelo meu pescoço e orelha. Minha
outra mão desabotoava o último e resistente botão superior do vestido. Os
lábios se tocaram. Beijo molhado, línguas se tocando.
As investidas dela se
davam aos poucos e repentinamente se recolhiam. Ele ia com tudo. Parava. Voltamos a
dançar para não chamar a atenção dos irmãos. Na dança, continuava maliciosa na sua
movimentação. Não dava para disfarçar: ela sentia a pressão do meu membro.
Apertava levemente com a coxa. Foram alguns vai e vens nesse sentido.
Era meu segundo
namoro, ela era experiente na arte. Ao terminar foi embora com os irmãos; eu, a
pé. A caminho de casa, senti dores que se localizavam na virilha e abaixo. Foi
o constante provocar durante a dança e nos cantos. Mal conseguia andar, pois as
dores eram torturantes. Chegando em casa fui para a cama.
O namoro continuava
debaixo do olhar dos irmãos. Só conseguia sair com ela quando algum deles ia
junto. Por sorte eles tinham suas namoradas e acabavam não nos vigiando nos
bailes ou onde íamos. No cinema era uma maravilha, um festival de beijos e de
passar de mãos. Nos bailes, era o de sempre. Mal conversávamos, mal nos conhecíamos,
era só beijos e amasso.
Essa situação começou
a me incomodar. Queria uma namorada para viver os momentos, trocar ideias sobre
a vida, as pessoas, as perspectivas, a política, o momento que vivíamos e que se mostrava revolucionário social, moral e politicamente. Queria conversar
o turbilhão de sentimentos que vivia dentro de mim.
A conversa se esvaía,
morria em algumas futilidades e se calava com as bocas se encontrando em infindáveis
beijos.
Linda, gostosa, me
sentia o máximo entrando com ela nos locais, pois ela, com sua fulgurante
figura chamava a atenção. Via nos outros olhares de desejo e de inveja.
Em muitos lugares
encontrávamos ex-namorados que eram apresentados ou mostrados à distância como
troféus. Comecei a me sentir como mais um. Resolvi acabar com o namoro.
Quando conversei com
ela, em um baile, ela chorou, dizendo que eu estava insensível, que me amava e que éramos o par perfeito. Foi para o canto onde estavam sua irmã e algumas
amigas que a acolheram formando uma rodinha, e olhando para mim com olhares de
reprovação.
Fui embora.
Soube que ela permaneceu inconformada e chorosa com nosso término por algum tempo.
Ao encontrar uma
amiga íntima de sua irmã soube do comportamento dela em relação ao nosso
término.
- Sabe porquê desse
festival de lágrimas da parte dela?
- Não.
- Você foi o primeiro
namorado que terminou com ela, e não o contrário. Você deve conhecer o rol de
namorados que ela teve. Muitos. É namoradeira, atirada, tem fama de assanhada.
Namorados não vão lhe faltar. Vai faltar quem a aceite com sua beleza mas, com toda a sua
superficialidade. Homem gosta de mulher atirada, sexy, liberal para se divertir, curtir a vida, mas, quando busca uma para casar ou formar uma união, procura as que se dão valor como mulheres e se fazem respeitar.
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