10/20/10

A Morena


A irmã da namorada do meu amigo era um avião. Uma morena de olhos castanhos, cabelos lisos, sedosos e pele bonita. Como se dizia, “tratada a leite de aveia”. Um sorriso maroto e um olhar malicioso. Tinha um corpo roliço, sem ser gorda. Os seios explodiam nas blusas e vestidos que usava. Era proposital.

Seu andar era pura provocação. Ela exalava desejo.

Por várias vezes, flertamos. Mas tinha namorado e por respeito ao meu amigo e aos irmãos dela, que também eram meus amigos, tomava cuidado.

De repente, fiquei sabendo que ela havia terminado o namoro.  Como haveria um churrasco na casa de um conhecido, depois de uma semana, preparei-me para conversar.

No dia, a filha da mãe apareceu com um sujeito a tiracolo. E propositalmente me fez pirraça. No final da festa, não aguentei e a puxei pelo braço perguntando se iria à balada no dia seguinte e se gostaria de ir comigo. Confirmou maliciosamente que sim e que lá nos encontraríamos.

Foi uma grande preparação. Banho tomado. Vesti uma calça, tirei, coloquei outra. Experimentei uma camisa. Não ficou bem, coloquei outra. Ou seja, uma longa preparação. Dente escovado, gel no cabelo, perfume. Outro olhar no espelho e vamos lá.

A morena estava com um vestido vermelho. Marcava a cintura. Ao botão de cima faltava um nada para se soltar. Um tesão.

Começamos a dançar. Que delícia a maciez do seu corpo. O cabelo parecia ter saído de uma tarde no cabeleireiro. E aquele perfume gostoso no pescoço.

Quando dançavam, ela enfiava sua perna no meio da minha e pressionava. Nós ficávamos parados no lugar só fazendo o balanço da música para sentirmos o contato. Estávamos pegando fogo. Precisávamos encontrar um canto para que não nos vissem.

Lá fomos. Minha mão subia por sua perna, enquanto, sua língua corria pelo meu pescoço e orelha. Minha outra mão desabotoava o último e resistente botão superior do vestido. Os lábios se tocaram. Beijo molhado, línguas se tocando.

As investidas dela se davam aos poucos e repentinamente se recolhiam. Ele ia com tudo. Parava. Voltamos a dançar para não chamar a atenção dos irmãos. Na dança, continuava maliciosa na sua movimentação. Não dava para disfarçar: ela sentia a pressão do meu membro. Apertava levemente com a coxa. Foram alguns vai e vens nesse sentido.

Era meu segundo namoro, ela era experiente na arte. Ao terminar foi embora com os irmãos; eu, a pé. A caminho de casa, senti dores que se localizavam na virilha e abaixo. Foi o constante provocar durante a dança e nos cantos. Mal conseguia andar, pois as dores eram torturantes. Chegando em casa fui para a cama.

O namoro continuava debaixo do olhar dos irmãos. Só conseguia sair com ela quando algum deles ia junto. Por sorte eles tinham suas namoradas e acabavam não nos vigiando nos bailes ou onde íamos. No cinema era uma maravilha, um festival de beijos e de passar de mãos. Nos bailes, era o de sempre. Mal conversávamos, mal nos conhecíamos, era só beijos e amasso.

Essa situação começou a me incomodar. Queria uma namorada para viver os momentos, trocar ideias sobre a vida, as pessoas, as perspectivas, a política, o momento que vivíamos e que se mostrava revolucionário social, moral e politicamente. Queria conversar o turbilhão de sentimentos que vivia dentro de mim.

A conversa se esvaía, morria em algumas futilidades e se calava com as bocas se encontrando em infindáveis beijos.

Linda, gostosa, me sentia o máximo entrando com ela nos locais, pois ela, com sua fulgurante figura chamava a atenção. Via nos outros olhares de desejo e de inveja.

Em muitos lugares encontrávamos ex-namorados que eram apresentados ou mostrados à distância como troféus. Comecei a me sentir como mais um. Resolvi acabar com o namoro.

Quando conversei com ela, em um baile, ela chorou, dizendo que eu estava insensível, que me amava e que éramos o par perfeito. Foi para o canto onde estavam sua irmã e algumas amigas que a acolheram formando uma rodinha, e olhando para mim com olhares de reprovação.

Fui embora.

Soube que ela permaneceu inconformada e chorosa com nosso término por algum tempo.

Ao encontrar uma amiga íntima de sua irmã soube do comportamento dela em relação ao nosso término.

- Sabe porquê desse festival de lágrimas da parte dela?

- Não.

- Você foi o primeiro namorado que terminou com ela, e não o contrário. Você deve conhecer o rol de namorados que ela teve. Muitos. É namoradeira, atirada, tem fama de assanhada. Namorados não vão lhe faltar. Vai faltar quem a aceite com sua beleza mas, com toda a sua superficialidade. Homem gosta de mulher atirada, sexy, liberal para se divertir, curtir a vida, mas, quando busca uma para casar ou formar uma união, procura as que se dão valor como mulheres e se fazem respeitar.

 

 

 

 

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