09/09/2026

POR QUE ESCREVO?



Pensei como título “Resposta de um Escritor”, para perguntas que as pessoas me fazem. Porém chamar-me de escritor é muita presunção, sou um mero escrevinhador.

Escrevo para manter a minha sanidade. Pela escrita escarafuncho minhas lembranças, vivências e sentimentos. Além do que pude absorver de pessoas, da natureza, de conversas, leituras, músicas, filmes e no simples observar e pensar. Ideias e pensamentos se concatenam fazendo-me sentir vivo, gerando inspiração e criatividade.

Surge, repentinamente, a semente daquilo que vou escrever. Ao contrário de muitos, desenvolvo, inicialmente em minha cabeça, o início de um conto, quando não, toda a sua estrutura.

Sento-me ao computador e começo a passá-lo para o papel.  Muitas vezes, o que foi pensado não se ajusta muito bem, quando escrito. Nesse caso, fica guardado como ideia para o futuro ou simplesmente jogado fora.

Quando estou escrevendo podem ocorrer três fatos:

O primeiro, é quando no meio da história, o personagem, toma as rédeas da sua vida e passa a indicar caminhos distintos que eu havia imaginado inicialmente. Ele decide o que fazer. Há momentos, inclusive, em que preciso esperar que escolha o próximo passo para dar continuidade.

Quando conto isso às pessoas, elas estranham e chegam a rir. Entretanto, conversando com alguns amigos, escrevinhadores como eu, dizem ocorrer o mesmo com eles. Fica aí o testemunho.

O segundo fato, é quando certas histórias saem com uma fluidez e velocidade impressionantes, como se eu estivesse tomado por uma força maior. Os espíritas dizem ser isso possível, pois estaria sendo conduzido por espíritos que estão próximos.

Penso que o fato de haver pensamentos, vivências e sentimentos que estão vivos dentro de mim faz com que venham à tona com a velocidade de um gêiser. Cada um que tire sua conclusão.

O terceiro fato ocorre quando no meio de uma escrita que vinha numa sequência começa a se perder. Como um carro a 100 km/h, repentinamente, perde a velocidade e para. Ocorre uma secura de criatividade. A história empaca. Palavras não se ajustam formando algo que valha a pena. Às vezes saem como pedras arrancadas de uma pedreira; outras vezes a escrita é colocada de lado, para quem sabe, um futuro aproveitamento, ou simplesmente se perde.

Pior, quando a inspiração para o início de um texto, parece ter ido à esquina tomar um café e esqueceu de voltar. Nada ocorre, a falta total do que dizer ou como dizer. Pode-se passar um bom tempo nessa situação. Costumo dizer que nesse caso estou “órfão de personagem”.

Habitualmente me dizem: por que não escreve do que viveu e do teu universo? Ocorre, que falar de lugares e fatos não vividos ou às vezes nem existentes, obrigando a pesquisa e a criação vinda de uma simples ideia, isso é vida plena e livre!

E os leitores? Para nós, escrevinhadores, desejosos de nossos escritos virem à luz, eles são a recompensa através de qualquer manifestação, por pequena que seja, boa ou não. 

Muitas vezes sinto que não houve nenhuma acolhida aos meus textos, outra vezes estimo que alguns leram e poucas vezes tenho a certeza que leram. Há momentos em que nem mesmo entre os mais próximos houve interesse manifestado. Nesse instante, gostaria que minha mãe estivesse viva, pois para as mães tudo do filho é magnífico.

Fala-se que todo escritor tem um estilo. Espero ter um. Navego normalmente pelos contos, onde escrevo sobre assuntos diversos, navegando no masculino, no feminino, no controverso, no novo e no velho. Pouco do futuro e muito do passado.

Com meus textos caminhei pelos pampas, equilibrei-me nas palafitas, andei por cidades reais e imaginárias, participei de segredos, vi amores e ciúmes, presenciei traições, suspeitas, acompanhei o ser humano ser desconsiderado, perseguido e preso. Vi o vigor do jovem e o amadurecimento, quando não, a solidão do velho. A mentira e a verdade muitas vezes envolvidas de hipocrisia.

Acompanhei a mudança dos costumes e a da moral, o chamado desenvolvimento, as mulheres nas suas batalhas com derrotas e vitórias. Minha própria metamorfose. Senti a natureza com suas manifestações fruto do Criador e o desrespeito do homem em sua usura. A fé com suas crenças e descrenças.

Enfim, a magistral, cômica, trágica e grande obra da humanidade: viver.

Do meu micro universo posso estar onde quiser e sentir o que quiser. Colocar meus pensamentos, minhas crenças, minhas esperanças e frustrações, nem que seja nas entrelinhas.  

É por tudo isso que escrevo. 


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