4/07/21

Aventuras de Criança


 


Era um quintal enorme. Havia abacateiro, pé de café, amoreira e várias pereiras. O terreno era em declive.

Em determinados momentos, eu fazia desse espaço uma pista de bicicross. Uma pedra no caminho se tornava numa rampa a ser subida, em outros, em plataforma de salto.

Havia ocasiões em que a pista debaixo da sombra da amoreira, era por onde corria minha linha de trem, já inúmeras vezes montada e desmontada. A cada novo formato, ela passava por lugares distintos: um deserto, no meio da mata, ou entre índios como um filme de bang-bang.

As árvores deixavam de ser o que eram.  Algumas se transformavam nas gáveas de um navio pirata; outras faziam parte da selva, onde Tarzan batalhava com os gorilas e salvava Jane.

Uma forquilha era ótima para colocar meu pacote de gibis, sentar-me em cima, lê-los ou relê-los, observando o mundo a minha volta. A vista chegava ao infinito, para meus olhos, apesar dos telhados e casas no caminho.

Cada dia, naquele espaço, era uma nova aventura. Quando havia muitas folhas pelo chão, eu arrastava os pés em seu meio, pois, como desbravador tinha que tomar cuidado com as cobras, do meu imaginário.

Ou seja, a cada novo olhar, a cada estado de espírito, aquele terreno se transformava. A cada sol, a cada nuvem, a cada chuva eu encontrava situações que me desafiavam. Era uma batalha constante.

Quando minha mãe me chamava para o almoço, todos aqueles heróis desapareciam. Notava isso pelo olhar dela de reprimenda à minha sujeira ou aos novos arranhões e feridas adquiridos nas aventuras.



eram


2 comentários:

  1. Inocência de criança... nossa imaginação nos leva a tantos lugares e situação e nós remete a realidade ao passar dos anos

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  2. Essas histórias povoam nossa mente para sempre. Muito importante não deixar morrer a criança que existe dentro de nós, ela alimenta nossa alma. Abraços

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