PRÓLOGO
Dois casais
de amigos, em um passeio juntos, compraram dois papagaios que estavam sendo
ofertados, ficando cada um com um. Este conto envolve fatos que ocorreram com
os dois papagaios e que relatarei em um só. O dono de um deles é são paulino e
em homenagem a ele, por ser um amigo querido, mantenho no conto, o louro cantando
o hino do São Paulo, como realmente o fazia, mesmo eu sendo corintiano. O outro
proprietário, já fez parte de um conto antigo, em que relato, o ocorrido com
ele e a namorada na época, em um passeio com os sogros à praia, chamado: “De
Pinto pra Fora”. Espero que vocês se divirtam com o contado a seguir.
O OCORRIDO
Fátima se
encantou com seu papagaio. Era alegre, verde, com manchas azuis e amarelas próximas
ao bico e no peito; a todo momento emitia um currupaco. Não tinha nome, era
chamado carinhosamente de louro. Ela colocou a gaiola na cozinha para, enquanto
trabalhava, conversar com ele.
- Louro, o
nome da mamãe é Fátima. Como é o nome da mamãe? Fátima.
De tanto
insistir, quando ela perguntava o nome da mamãe, lá vinha sua voz esganiçada:
- Mamãe Fátima.
Ela gostava
de músicas religiosas e ouvia muito o Padre Marcelo. Havia uma estrofe de uma
das músicas que repetia constantemente, mesmo com o rádio desligado:
- Nossa
Senhora me dê a mão... da minha vida.....
Não é que o
danado do papagaio aprendeu a música e a cantava constantemente. Ela ria e se
encantava. Os vizinhos, quando o ouviam, riam e comentavam em voz
alta para a vizinha escutar, o quanto o louro era demais.
O marido
chegava em casa no final do dia e ela dizia ao louro:
- O bem
chegou.
Depois de um
tempo quando ele chegava e o papagaio escutava sua voz, já gritava:
- O bem chegou
– e grasnava seu currupaco.
Um dia para
sua surpresa, ela falou:
- Veja quem
chegou!
- O bem
chegou, Wilson viaaado.
Eles caíram
na risada. Depois vieram a descobrir que tinha sido arte de seu genro, em um
fim de semana que dormiu por lá, enquanto viajavam. Agora toda vez que o bem
chegava:
- O bem
chegou, Wilson viaado.
O louro
tinha uma facilidade em captar as palavras e os ruídos. Constantemente chamava
o cachorro, imitava o seu latido, cantava pedaços de outras músicas que ouvira,
chamava os filhos da Fátima pelos nomes.
Wilson,
animado, resolveu ensinar o hino do seu time de futebol:
- Salve o
Tricolor Paulista, Amado clube brasileiro, Tu és forte, tu és grande, Dentre os
grandes, és o primeiro....
O louro
aprendeu o hino, o que encheu o Wilson de orgulho, pois, a cada vinda de amigos,
fazia-o cantar.
Basta dizer
que o papagaio era a alegria da casa, fora que durante o dia era o seu vozerio
a todo momento. Ele permanecia em uma gaiola, saindo de vez em quando. À noite,
a gaiola era coberta, de forma a gerar escuridão e ele dormir, senão
continuaria o palavrório.
Numa manhã
de segunda-feira, em que o dia estava ensolarado, Fátima resolveu limpar a
gaiola do louro. Como sempre fazia, soltou-o no pequeno gramado que havia no
local, enquanto limpava a gaiola. Repentinamente, lembrou que tinha deixado uma
panela no fogo. Entrou rapidamente e apagou.
Ao voltar
não encontrou o louro, começou a chamá-lo e nada. Pegou uma escada e por cima
do muro do vizinho da direita, chamou a ave e não tendo resposta, chamou pela
vizinha e explicou o que havia ocorrido. Porém nada. Fez o mesmo com o vizinho
do outro lado e o de trás.
Desesperada
falou com a filha ao telefone que ficou de vir prontamente com os filhos
procurar o animal. Enquanto isso Fátima saiu batendo de casa em casa
perguntando se alguém o havia visto. Chamou nos vizinhos da calçada e depois
aos vizinhos da rua de trás. Nem sombra do bichinho.
A filha ao
chegar, ela se pôs a chorar e chorosa ligou para o marido explicando o que havia
ocorrido. Ele se prontificou de sair mais cedo do trabalho e a ajudar na
procura. As filhas e os netos correram as ruas, o armazém, a padaria, a
manicure, o açougue as praças relativamente próximas. Muitos conheciam o
papagaio pela suas algaravias, mas, não o tinham visto.
Foram três
dias de busca e nada. Fátima sentia como se tivesse perdido um filho. Alguém o
deve ter pego. Ele não sumiria assim. O silêncio somado a tristeza baixou na
casa. Às vezes, sem querer, ela chamava ou falava com o louro, caindo, depois
na realidade de que não estava.
Na sexta-feira,
a caminho da feira, na rua de trás, ao passar em frente à casa da Zilda ouviu
um currupaco qualquer. Tendo certeza que era ele, abriu o portão da frente, sem
chamar, e começou a esmurrar o portão do corredor lateral, que era baixinho e de madeira,
mas que estava emperrado e não abria. O barulho chamou a atenção da Zilda que
saiu no corredor. Com voz meio falha perguntou:
- O que está
acontecendo?
Vitória conseguiu abrir o portãozinho, a passou por ela empurrando-a e foi corredor a dentro. Zilda atrás gritando:
- Você não pode ir entrando assim, sem mais nem menos!
No final da casa, no quintal, havia uma edícula. Ouviu o currupaco do louro. Gritou
de fora:
- Quem é a
mamãe?
- Mamãe Fátima
– respondeu o pássaro com sua voz esganiçada.
Com muita
raiva, quase literalmente, enfiou o papagaio debaixo do braço e saiu gritando:
- Sua sem
vergonha, eu vim falar contigo, pedir a tua ajuda. Você é uma ladra. Zilda você
é uma ladra.
Saiu batendo
tudo. Chegando em casa ligou para o marido e a filha contando o ocorrido. Mimou
o louro, cantando com ele e estimulando que falasse uma série de frases que
conhecia. Cantou várias músicas do Padre Marcelo e o hino do São Paulo. A
alegria voltou à casa.
Numa das
manhãs, conversando com ele:
- Quem é a
mamãe?
- Mamãe Fátima.
- E a Zilda
o que é?
- Zilda
ladrooonaaa.
Fátima riu
com a resposta.
EPÍLOGO
Muitos perguntarão
quais os fatos ocorreram com cada um dos louros e que ajuntei em um conto só.
Um dos
papagaios, realmente era excepcional nas suas interações, cantando músicas, imitando
sons, chamando pessoas.
O outro,
mostrou-se um animal normal nos seus currupacos, também alegrando os
proprietários, mas não na forma e na intensidade do outro. Este animal, foi o
que desapareceu.
Como os
ocorridos me foram contados há muito tempo, tomei a liberdade de ajustá-los à
minha memória.
memaai
Gostei da história e as adaptações, bela criatividade. O meu louro é bem assim e se chama Chico
ResponderExcluirExatamente por isso, que ele é um dos louros da história.
ExcluirAmei !!!
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