terça-feira, 22 de março de 2011

Ciume



Sentado à mesa conversava com os clientes. O restaurante é de renome em um hotel de luxo.  Precisa impressioná-los para fechar o negócio.
A conversa transcorre bem. Ele e o sócio já se viam fechando o pedido.
No meio da conversa vê sua mulher entrando. Veste um vestido que muito lhe agrada. É fino, suave ao toque, permite que se sinta seu corpo no leve contato da mão e o leve decote possibilita observar o contorno dos seios.
Dirige-se para uma mesa ao canto oposto de onde está. Um homem elegante a recebe. Educadamente a beija na face, puxa a cadeira para que se sente. A serve do vinho que está em um balde refrigerando.
Neste momento ele se distância da conversa com os clientes. Está confuso e vários pensamentos lhe passam pela cabeça. Quem será? Cliente, amigo, parente, amante? Um companheiro de trabalho?
Por que naquele restaurante em um hotel de luxo?
Sua esposa e o parceiro almoçam. Riem. Nota-se que a conversa é agradável.
Na sua mesa a negociação segue, orientada pelo seu sócio, que a todo o momento lhe cutuca pedindo a opinião.
A suas respostas são evasivas. As idéias não se conectam.
Terminado o almoço sua esposa se retira com o acompanhante.  Ele, educadamente, a faz passar a frente, colocando a mão em sua cintura.
Será que foram para o quarto? Ela se despindo. Beijando. Ele lhe retirando a pequena calcinha, que deve estar usando,enquanto corre as mãos pelo seu corpo.
Os clientes falam. Não sabe o que. Não ouve nada, só o que lhe vai pela mente.
Não, não dá. Levanta intempestivamente e corre. Identifica o quarto, sobe e bate a porta.
Ele abre. Está de cueca. Empurra-o e entra. Ela está na cama nua. Com o movimento se levanta assustada.
Ele a agarra pelo pescoço. Aperta, aperta, até sair sangue de sua boca, de seu nariz, que começa a escorrer por suas mãos. Sente dor, sente sangue. Sente vontade de rir, de chorar.  Pensa em afogar o acompanhante, também.
Neste momento é sacudido por seu sócio e pelo garçom que os atende, enquanto seus clientes olham assustados. Sai dos seus pensamentos.
Eles lhe dão guardanapos para que contenha o sangue que escorre de sua mão, em virtude do copo que quebrou, te tanto apertar.

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