quinta-feira, 14 de abril de 2011

Horror

O fato que ocorreu no Colégio Tasso da Silveira, no Rio de Janeiro, foi um verdadeiro horror.  Só não foi maior o número de mortos e feridos graças a policiais que participavam em uma operação de trânsito e foram avisados por um aluno ferido. Entraram na escola, no meio do caos e de tiros, e pararam o doido que executava a chacina.
Esses policiais, expondo-se na busca de salvar vidas, me fez refletir um fato.
Outro dia, na sala de espera de um cliente, que usualmente visito, conversando com sua jovem e simpática recepcionista, perguntei se morava perto. Respondeu-me que sim e bastava uma condução para chegar ao serviço em 40 minutos, mas que desejava se mudar.
- Por quê? – perguntei.
- Há muitos bandidos onde moro e meu marido é policial.  Quando lavo sua roupa tenho que ter o cuidado de colocá-la no fundo do quintal, com uma série de roupas na frente, para que não a vejam da rua.
Contou-me que apesar dos cuidados, para não saberem da profissão do marido, em dezembro do ano passado, ele estava em uma blitz de rotina e revistou uma pessoa, que reside em sua rua, e é tida como bandido.  Este o reconheceu. Inclusive, dias depois, quando ela andava pela rua o indivíduo a ficou encarando.
Passou um Natal e Ano Novo angustiada, chorando, pois, tem dois filhos e ficou com medo do que poderia lhes acontecer.
Mora no Capão Redondo, onde tem sua vida, escola do filho mais velho e a proximidade da casa da sogra que cuida das crianças, enquanto trabalha. Estava tentando mudar, mas se deparava com dificuldades de encontrar uma casa, relativamente próxima a sua sogra, com um aluguel apropriado ao valor que paga hoje, visto morar no local há anos, e de obter seguro fiança para a locação.
Pensei na quantidade de homens e mulheres que precisam vestir suas fardas às escondidas, para o trabalho de proteger os nossos bens, as nossas vidas em policiamentos, em lutas contra a bandidagem, combates de incêndios, enchentes e correndo no meio do trânsito para nos socorrer.
Quantas dessas pessoas não estarão vivendo problema igual a este ou quem sabe pior, tendo seus filhos de esconderem a profissão dos pais, quando deveriam ter orgulho e admiração?
Estes profissionais deveriam ganhar salários condizentes ao seu trabalho, para terem uma vida digna e segura. É uma atividade permeada de maus caracteres, como há em toda a sociedade. Estes, precisam ser combatidos e repelidos.
Os médicos, amenizam as nossas dores e salvam as nossas vidas quando estamos mal. Os Policiais Militares nos protegem para que os médicos não necessitem salvar nossas vidas e amenizar nossas dores.
Observei a foto de um morador de Realengo no Rio de Janeiro beijando a mão do policial que parou o insano matador. Todos nós, deveríamos, como este cidadão, beijar as mãos desses homens e mulheres, que expõem as suas vidas na proteção da nossa e agradecer.




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