sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Espera


Vou até o quarto, olho os meninos dormindo na cama.
Na sala, a TV ligada e a imagem passando. Nada se fixando na minha mente.
Observo o relógio. E nada dele chegar.
Virá com as mesmas desculpas. Trabalhou até tarde, foi jantar com amigos ou clientes.
No rosto uma expressão diferente e na roupa um perfume estranho. Só que o de sempre.
Será que ela é mais jovem que eu? Será mais bonita? Será que é melhor na cama?  O que será que ela tem que eu não tenho ?
Quantos serás, quantas angustias. O que fazer? Passo o dia corroendo a alma, me esmagando, me transformando em nada a cada momento.
Quando chega, um beijo rápido. Mal pergunta do dia.
- Amor, separei um prato para você. Está no forno.
- Não precisa, já jantei. Vou dormir que estou cansado.
Sozinha na sala, sinto-me prostrada nos meus desencantos, com vontade de gritar o que está represado. O choro pronto para explodir na garganta. Mas, somente lágrimas silenciosas escorrem pelo meu rosto.
Lembro da nossa vida, a família, os filhos, os amigos. Cada vez mais o noto distante dos carinhos, dos desejos, do dia a dia.
Sinto o mundo caindo em minha cabeça e o chão escapando aos meus pés.
Vou para a cama e o encontro dormindo.
Deito ao seu lado, coloco meu braço sob seu corpo.
Tento dormir, pensando que ele é meu e que nossa vida ainda será perfeita, que seremos felizes para sempre.
E embalada por esses sonhos durmo, até o pesadelo do dia seguinte.

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