quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Feira

Ver imagem em tamanho grandeGostava de ir a feira. Principalmente na barraca de frutas do Sr. Manoel português, que tinha uma filha maravilhosa.
Esperava a semana para vê-la.
As uvas, refletiam o verde de seus olhos. Sua pele era acetinada como um pêssego, seus dentes tinham a brancura do melão e seus lábios eram como morangos.   
Os seios, estes não eram frutos nos seus devaneios, mas puro desejo, assim como o resto do corpo.
Ele tinha 32 anos, ela em torno dos 19. Era o pomar que sonhava para sua vida.
A semana voava com facilidade, para chegar o domingo.
Passava na barraca escolhia uma ou duas frutas, mas somente com ela, e dizia que ia olhar o resto da feira e depois voltava, para escolher outras variedades.
Brincava com o Sr. Manoel que um diria iria raptá-la, pois era a melhor fruta da sua barraca.
E o Sr. Manoel ria com seus bigodes, pois o cliente era bom, gastava bem, simpático com a filha e ficava satisfeito com a forma educada como a tratava.
O encanto por ela aumentava e a semana começou a se tornar vagarosa.  O domingo demorava a chegar.
Pensava no seu sorriso, constantemente. Tinha a impressão que sorria para ele diferente de para com os outros. Ria com gosto das suas brincadeiras, dos seus galanteios. Seu olhar parecia lhe dizer palavras, desejos.
Eram meses nesse andar de esperar, de alegrias, desejos, pequenos prazeres nos gestos, sonhos.
Finalmente se decidiu, na próxima semana iria falar com o Sr. Manoel. O português parecia que gostava dele. Além do mais tinha toda a condição para se casar e sustentá-la.
No Domingo, na barraca, pergunta: Sr. Manoel cadê a Maria?
Ora pois, não sabes? Casou-se, e como o marido também tem barraca de fruta na feira vai ajudá-lo, só que é em outra freguesia.

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